sábado, 10 de fevereiro de 2007

Vergonha na educação derruba preconceitos

Intelectuais paulistas, gente da USP, Unicamp, Unesp, os doutores formados em Paris, os tucanos, seus fiscais, devem estar envergonhados. Os chamados líderes empresariais também. Talvez! Deu no jornal que a educação no Brasil piora em 10 anos – desde o doutor Fernando Henrique até o metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva. Os dados são do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

São Paulo, que lidera a economia brasileira, foi onde as médias mais caíram nas provas de oitava série. No ensino médio, foi o segundo estado que mais piorou em português e o terceiro que mais piorou em matemática, formando gente que pouco sabe escrever, entender o que lê, somar, subtrair, dividir, multiplicar. Tudo isso, fora os analfabetos.

É uma vergonha, que contribui para explicar todos os nossos dramas, seja na violência urbana, no desemprego, na saúde e, para resumir, no desenvolvimento do nosso País. A Folha de S. Paulo escreve que apenas dois dos 1.182 colégios paulistanos – portanto, da maior cidade da América Latina, uma das maiores do mundo – tiveram médias boas ou excelentes. Os dois são particulares, pagos. Dentre os 50 melhores da capital paulista, só sete são públicos.

A elite brasileira, com tal resultado, revela sua perversidade. Quer nos manter no atraso. Mas o resultado, valorizando a educação, serve também para derrubar preconceitos. O exemplo vem do Piauí. O Instituto Dom Barreto, de Teresina, foi o colégio com melhor desempenho no Enem 2006 Muito paulista ignorante olha torto para o Norte e Nordeste do Brasil, assim como ocorre com gaúchos, catarinenses, essa gente do Sudeste. O Rio de Janeiro, maltratado por barbáries e violência diária, tem seis escolas na seleção das 20 melhores, todas privadas.

Na falta de explicação melhor, o ministro da Educação, Fernando Haddad, lembra que o resultado do Enem é apenas um dos indícios sobre a qualidade da educação brasileira. Mas, pelo menos, admitiu que é "do poder público" a culpa pela queda de desempenho dos estudantes, segundo os jornais.

Fico com Cristovam Buarque, senador (PDT-DF), ex-ministro da Educação, ao opinar sobre o Enem e o Saeb: "O problema maior não é investimento, mas falta de interesse do governo. Como não há sindicato de analfabetos nem de crianças da primeira série, mas há de professores das universidades, não há interesse”.

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