Intelectuais paulistas, gente da USP, Unicamp, Unesp, os doutores formados em Paris, os tucanos, seus fiscais, devem estar envergonhados. Os chamados líderes empresariais também. Talvez! Deu no jornal que a educação no Brasil piora em 10 anos – desde o doutor Fernando Henrique até o metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva. Os dados são do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
São Paulo, que lidera a economia brasileira, foi onde as médias mais caíram nas provas de oitava série. No ensino médio, foi o segundo estado que mais piorou em português e o terceiro que mais piorou em matemática, formando gente que pouco sabe escrever, entender o que lê, somar, subtrair, dividir, multiplicar. Tudo isso, fora os analfabetos.
É uma vergonha, que contribui para explicar todos os nossos dramas, seja na violência urbana, no desemprego, na saúde e, para resumir, no desenvolvimento do nosso País. A Folha de S. Paulo escreve que apenas dois dos 1.182 colégios paulistanos – portanto, da maior cidade da América Latina, uma das maiores do mundo – tiveram médias boas ou excelentes. Os dois são particulares, pagos. Dentre os 50 melhores da capital paulista, só sete são públicos.
A elite brasileira, com tal resultado, revela sua perversidade. Quer nos manter no atraso. Mas o resultado, valorizando a educação, serve também para derrubar preconceitos. O exemplo vem do Piauí. O Instituto Dom Barreto, de Teresina, foi o colégio com melhor desempenho no Enem 2006 Muito paulista ignorante olha torto para o Norte e Nordeste do Brasil, assim como ocorre com gaúchos, catarinenses, essa gente do Sudeste. O Rio de Janeiro, maltratado por barbáries e violência diária, tem seis escolas na seleção das 20 melhores, todas privadas.
Na falta de explicação melhor, o ministro da Educação, Fernando Haddad, lembra que o resultado do Enem é apenas um dos indícios sobre a qualidade da educação brasileira. Mas, pelo menos, admitiu que é "do poder público" a culpa pela queda de desempenho dos estudantes, segundo os jornais.
Fico com Cristovam Buarque, senador (PDT-DF), ex-ministro da Educação, ao opinar sobre o Enem e o Saeb: "O problema maior não é investimento, mas falta de interesse do governo. Como não há sindicato de analfabetos nem de crianças da primeira série, mas há de professores das universidades, não há interesse”.
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