É praticamente um consenso que o Brasil só dará o desejado salto de desenvolvimento quando a educação - priorizada no discurso dos políticos e negligenciada na prática - apresentar alto desempenho. Não é o que se observa nos resultados dos exames do ensino básico e médio, divulgados nesta quarta-feira pelo Ministério da Educação. Numa escala de zero a 100, os 2,7 milhões de concluintes ou egressos das escolas públicas do Ensino Médio que fizeram o Enem obtiveram nota média de 36,90 na prova objetiva - muito inferior à de 2005 e 2004.
Mesmo que aprovados nas respectivas escolas, em média os alunos sequer teriam obtido a nota mínima para se candidatar ao Programa Universidade para Todos (ProUni), responsável pela concessão de bolsas de estudo integrais e parciais a estudantes de baixa renda. Um dos critérios para obtê-las é a prova do Enem, que exige nota mínima de 45 pontos. A maioria dos que se submeteram à prova, que não é obrigatória, informou ter se inscrito com esse objetivo. Não foi muito melhor o desempenho dos alunos de escolas particulares - média de 50,57 na parte objetiva e 59,77 na redação.
O resultado espelha a falta de investimentos num item que deveria ser a prioridade das prioridades. Países desenvolvidos ou que surgiram como potências nos últimos anos só alcançaram tal estágio porque apostaram em educação. Veja-se o exemplo da China, que conseguiu reduzir seu índice de analfabetismo de 34% em 1980 para 9% em 2005.
Se no Brasil a escola pública e a particular, esta última em tese melhor aparelhada e mais atualizada, vão mal, há mais do que falta de incentivos públicos a exigir uma reflexão. A qualidade do que está sendo oferecido nas escolas deve ser igualmente tema de debate. Não é admissível que num mundo cada vez com menos fronteiras, interligado pela Internet e com atrativos fora da escola tão mais sedutores, a sala de aula continue sendo o espaço do quadro verde e do giz, comandado por professores pouco preparados e mal pagos.
Como provam as altas taxas de evasão e repetência, a escola não tem conseguido competir com os avanços tecnológicos para, no mínimo, dividir o interesse de crianças e jovens. No ano passado, conforme censo também divulgado ontem pelo MEC, houve uma queda de 0,9% no número de estudantes matriculados em todos os níveis, na comparação com 2005. Percebe-se, aí, a urgência de uma revolução qualitativa no ensino brasileiro. Se isso não ocorrer, as médias dos alunos egressos do ensino básico continuarão caindo, num efeito dominó que atualmente já atinge as universidades, o mercado de trabalho e o sonho de crescimento do país.
Brasil só dará o salto de desenvolvimento quando a educação apresentar alto desempenho
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